Ela

Ela escreve poesias ruins
E fuma cigarro barato
Gosta de sair mas é muito individualista
Odeia chorar na frente dos outros
Ela odeia drama
Gosta de acender um baseado quando está sozinha, assim ninguem critica se estiver mal bolado
Vive em camisetas de banda pois as músicas que ela escuta fazem parte dela
E as vozes que cantam
Lhes guiam o caminho
Ela é amada por todos
Mas sente que não tem ninguém
E sempre diz para quem se importa “tá tudo bem”
Ela aguenta muito
Mas está por pouco.

Intensidade

Vem, vamos colocar música
Vem, vamos cantar
Vamos acender nossas almas
E deixar tudo incendiar
Não importa a bagunça que vamos deixar

Nossos demônios vão se amar
Até cansar
Não importa que vai acontecer
Aumenta o som, vamos viver!
Me conta tudo sobre você, eu quero saber
Me conta das suas paixões e tristezas
Vamos tocar a alma um do outro,
E deixar hoje ser a absoluta intensidade.

Cigarro

A vida é um cigarro que vai queimando
Começa leve e parece que não vai acabar
Lá pro meio, começa a cansar
Alguns desistem e jogam fora
Alguns conseguem aguentar
E lá pro fim, já é amargo demais
A cada tragada o cigarro diminui mais
E por fim
Simplesmente apaga
E ninguém nunca vai lembrar
Daquele cigarro que já acabou
Ele já não importa mais
Ele virou mais uma bituca
No meio do cinzeiro
de outras bitucas tão iguais.

A indústria e o corpo.

Tarde comum, terça feira quente.
Vejo uma loja legal, talvez experimente aquela blusa que vi no Instagram outro dia.
Resolvo entrar, todas as roupas são lindas,
Pego tudo pra experimentar:
Chegou minha vez no provador, mal começou e eu já tô cansada.
O provador é pequeno demais pra guerra que ocorre quando eu começo a colocar as roupas, porra que saco! Vai começar…
O espelho deprime
As roupas esmagam a auto estima
Me troco de costas, pra adiar o sofrimento de me olhar
Me viro, e choro: não era pra ter ficado desse jeito!
O tempo passa, as roupas vão pro chão
Puta que o pariu! Experimentei de tudo, gostei de nada… ou melhor, não gostei de mim mesma.
Odeio meu próprio corpo, estou presa.
Saio sem comprar nada, me sentindo vazia.
A volta pra casa é solitária e eu não consigo pensar em nada, além de que eu nunca deveria ter entrado na loja nem experimentado nada. Vou continuar por aí, usando minhas roupas pretas e largas.
Afinal, eu já deveria ter aprendido que a indústria da moda, é pra magras.